Velha tapera quase caída,
Rancho a beira da estrada
Por dentro toda ruída,
E por fora, pelo sol e a chuva castigada.
Aonde a tua modesta história,
Se confunde com a minha vida.
Até hoje bailam na minha memória.
Doces momentos de um passado,
Que me fizeram muito feliz.
Lá dentro ainda está guardado,
Aquele rústico bercinho.
Que papai fez, com todo carinho.
Quando pequeno; Para me fazer dormir,
Mamãe alegre me embalava,
E as canções de ninar cantarolava.
Na cozinha também está o fogão,
Que minha vovozinha cozinhava.
E nos dias de frio eu me aquecia.
No piso de chão com terra batida,
Tantas e tantas vezes eu brinquei.
Com meu cãozinho peralta eu rolava,
E nas muitas travessuras,
Nós dois juntos aprontava.
Lá, também se encontra a tralha,
Que no dia a dia papai usava.
O areio, a espora e o cabresto...
A capa de chuva, o chapéu de aba larga,
O laço, a bota, a guaiaca e o pelego
Quando nas horas de sossego
Na varanda, papai nele descansava.
O pilão de cedro também ainda existe
Aonde a canjica de milho mamãe socava
Até a bainha de couro cru.
Nela está o facão embutido
E na parede está pendurada.
A mesa, e os dois velho bancos.
A cartucheira e a espingarda enferrujada.
Que por tantos anos ficou esquecida,
E hoje não serve mais pra nada.
Tanta coisa lá se encontram guardadas.
Que o tempo ainda não deu fim.
E as lembranças não se apagaram.
Porque a fogo em mim foram gravadas.
Hoje vivo ruminando a saudade.
Da vida de criança, e da mocidade.
Que sorrateiramente a muito se foi.
Olhando a foto pelo tempo já desbotada,
De papai e mamãe olhando pra mim.
Até parece que querem me dizer,
Para que de saudades, eu não sofra tanto assim.