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Intolerância à frustação + agressividade: reflexão



Há umas duas semanas atrás, aproximadamente, a Rede Globo mostrou no Jornal Nacional uma matéria sobre os metrôs que haviam parado por problemas técnicos em pleno horário de Rush na cidade do Rio de Janeiro, atrasando as pessoas para que chegassem aos seus destinos. Para quem mora em uma cidade grande é um transtorno enorme, pois você perder um meio de locomoção porque muitas vezes não é só um transporte que as pessoas têm que pegar até chegar a casa/trabalho. Mas continuando na matéria, foi mostrado também que pela impaciência de esperar o conserto do trem algumas pessoas exaltaram-se e começaram a depredar o trem, puseram fogo numa parte do metrô, quebraram as bilheterias das estações, entre tantas outras provas de barbárie. Fico imaginando o que algumas pessoas podem ter pensado: “Estou com raiva e tenho o direito de quebrar algo que não é meu (é só para meu uso)?” “Sou uma pessoa apressada, não tenho tempo a perder, se acham que podem me prejudicar vou quebrar tudo?” “Eu já tenho que me controlar demais meus nervos, a vida me reprime, agora vou soltar a fera e mostrar que ninguém pode me prejudicar, se ele pode (o primeiro a começar a “quebrar”/agressor) eu também posso?” Dentre tantos que podem ter acontecido. Mas é fato que um pequeno grupo de pessoas iniciou e as outras continuaram, entraram no mesmo comportamento pelo calor das suas emoções, cada qual com seus próprios motivos. Ou seja, foram intenções separadas e subjetivas, que escolheram em comportar-se em grupo para aliviar suas tensões. Aliviar sua agressividade sobre coisas materiais de uso comum. A reflexão é: “posso justificar meu ato de vandalismo pela minha frustração de não chegar em casa/trabalho?” “Devo agredir pessoas ou coisas para aliviar a minha agressividade reprimida?” “Se me comportar dessa maneira sem pensar as conseqüências?” Afinal de contas, analisemos: o trem demoraria mais para ser consertado com o tumulto, sairia mais caro, pois agora são várias outras coisas para ser arrumada, esse gasto pode ser repassado em um aumento da tarifa diária, maiores despesas para o consumidor. E depois de tudo isso as mesmas pessoas que iniciaram a barbárie se sentiram lesadas pelo aumento e tentaram quebrar outro metro, e assim o ciclo é capaz de não acabar. Na verdade, usei esse caso, pois foi um caso da mídia e assim fica mais fácil de transmitir a minha mensagem, minha reflexão. Cada dia que passa, nós estamos com menos tolerância a frustração e sendo mais agressivos. A agressividade é inerente ao ser humano, ela acontece, mas é justificável que usemos de forma indiscriminada e inconseqüente, sem controle? E quanto à frustração, nascemos e já começamos a nos frustrar, ela faz parte de nossas vivências, mas isso me dá o direito de causar dano a outrem? Ou de descontar essa frustração no primeiro que aparece sem controle de suas emoções? E mesmo morando em cidade pequena, onde não há trens e casos iguais ao citado acima, é possível ver comportamento de vandalismo, barbárie que pode ser traduzido como intolerância a frustração e agressividade descontrolada. O que eu sugiro é um trabalho individual, pessoal para que cada pessoa controle sua “ferinha”, ache uma maneira saudável de soltá-la, como na academia, esportes, terapias, etc. E como eu imagino que o leitor seja adulto eu lhe questiono: Que exemplo você está dando para as crianças? Qualquer criança, não interessa se não tem filhos, pois pode ter sobrinhos, os filhos dos amigos, dos vizinhos, e assim por diante. Devemos controlar nossas frustrações e agressividade, pois tudo que fazemos tem conseqüências, seja para nós mesmos ou para outras pessoas.  PERFEIÇÃO- Legião Urbana  Vamos celebrar a estupidez humana  A estupidez de todas as nações  O meu país e sua corja de assassinos  Covardes, estupradores e ladrões  Vamos celebrar a estupidez do povo  Nossa polícia e televisão  Vamos celebrar nosso governo  E nosso Estado, que não é nação  Celebrar a juventude sem escola  As crianças mortas  Celebrar nossa desunião  Vamos celebrar Eros e Thanatos  Persephone e Hades  Vamos celebrar nossa tristeza  Vamos celebrar nossa vaidade.  2  Vamos comemorar como idiotas  A cada fevereiro e feriado  Todos os mortos nas estradas  Os mortos por falta de hospitais  Vamos celebrar nossa justiça  A ganância e a difamação  Vamos celebrar os preconceitos  O voto dos analfabetos  Comemorar a água podre  E todos os impostos  Queimadas, mentiras e seqüestros  Nosso castelo de cartas marcadas  O trabalho escravo  Nosso pequeno universo  Toda hipocrisia e toda afetação  Todo roubo e toda a indiferença  Vamos celebrar epidemias:  É a festa da torcida campeã.  3  Vamos celebrar a fome  Não ter a quem ouvir  Não se ter a quem amar  Vamos alimentar o que é maldade  Vamos machucar um coração  Vamos celebrar nossa bandeira  Nosso passado de absurdos gloriosos  Tudo o que é gratuito e feio  Tudo que é normal  Vamos cantar juntos o Hino Nacional  (A lágrima é verdadeira)  Vamos celebrar nossa saudade  E comemorar a nossa solidão.  4  Vamos festejar a inveja  A intolerância e a incompreensão  Vamos festejar a violência  E esquecer a nossa gente  Que trabalhou honestamente a vida inteira  E agora não tem mais direito a nada  Vamos celebrar a aberração  De toda a nossa falta de bom senso  Nosso descaso por educação  Vamos celebrar o horror  De tudo isso - com festa, velório e caixão  Está tudo morto e enterrado agora  Já que também podemos celebrar  A estupidez de quem cantou esta canção.  5  Venha, meu coração está com pressa  Quando a esperança está dispersa  Só a verdade me liberta  Chega de maldade e ilusão.  Venha, o amor tem sempre a porta aberta  E vem chegando a primavera -  Nosso futuro recomeça:  Venha, que o que vem é perfeição


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