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Relatos
“Autobiografia do professor aposentado João Sobczak”
Eu João Sobczak, brasileiro, maior, casado, professor aposentado, residente e domiciliado à Rua Carvalho, 729, na cidade de Quedas do Iguaçu, estado do Paraná, filho legítimo de Ignácio Sobczak e de dona Sophia Zarychta Sobczak, brasileiros (já falecidos). Nasci no dia 08 de fevereiro de 1921em Gaurama (ex-estação Barro), município de Erechim, estado do Rio Grande do Sul, tenho mais um irmão homem que é solteiro e o 2º da família e duas irmãs ambas casadas.
RESIDÊNCIA PRIMEIRA E INÍCIO DOS ESTUDOS
Os falecidos meus pais residiam no lugar denominado “CAÇADOR”, distrito de Barro, hoje Gaurama no Estado do Rio Grande do Sul, município de Erechim, ai até os meus 07 (sete) anos e em fevereiro de 1928 iniciei os meus primeiros estudos primários na Escola Particular denominada “Alto Caçador”, situada no distrito de Barro e a 7 Km distante da residência dos meus pais, sendo o meu 1º professor naquela época o Sr. Boleslau Zamecki (já falecido). Em 1929 passei a freqüentar a escola sob a denominação “JUVENTUDE”, localizada na Linha 4ª seção Barro e que distava a 4 Km da residência dos meus pais. O professor regente naquela escola foi o Sr. Vitoldo Milkiewicz (já falecido), com esse professor concluí a 2ª série primária. No ano de 1930 foi designada para a Escola da Juventude a professora Sra. Leocádia Lipniarski Samojeden (também já falecida) e a qual lecionou por muitos anos e era nomeada pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, com essa professora estudei até o ano de 1933, onde concluí a 5ª série e por dois anos fui auxiliar de classe da mesma. Posteriormente no ano de 1934 passei para freqüentar aulas no grupo escolar do Distrito de Barro, hoje cidade de GAURAMA, onde o professor titular foi o Sr. Boleslau Wencelewski (já falecido) era estrangeiro vindo da Polônia , professor competente e o qual confiou-me como seu auxiliar para dar aulas aos alunos da 1ª e 2ª série que eram em média de 30 a 35 alunos, porém sempre sob a vigilância do mesmo fui seu auxiliar por 03 anos e a tarde continuava os meus estudos.
Para dirigir-me a esta escola percorria diariamente cerca de 16 Km entre ida e volta por uma estrada precária, acidentada e pedregosa, fazia esse trajeto a pé e outras vezes montado a lombo de um cavalo, enfrentando todas as conseqüências de calor, frio e chuva.
Os meus estudos foram cheios de sacrifícios, pois, nos anos de 1932 à 1934 a minha falecida mãe achava-se enferma acamada durante 03 anos sem poder levantar-se e trabalhar e, eu como era o filho mais velho da casa tinha que preocupar-se com todos as afazeres caseiros, depois que retornava da escola fazia os serviços ordeiros da casa, como preparo das alimentações, lavagem de roupas, limpeza e ordem da casa e depois de cumprir com essas tarefas pegava mos estudos atingindo altas horas da noite na execução das tarefas escolares. Conseqüência de tudo isso era que o falecido meu pai não tinha condições para contratar empregada, devido a grande crise que reinava naquela época.
Em 1935, graças ao Bom Deus a minha mãe restabeleceu-se da enfermidade que a prendia por (dois), digo três longos anos, voltou ao desempenho de seus afazeres e assim eu continuei os meus estudos com mais facilidade até que em 1936 cheguei a conclusão ao primário completo equivalente ao ginasial, mas, assim mesmo não deixei de prosseguir com os estudos, sempre procurei ir aperfeiçoando até poder alcançar níveis mais elevados.
INÍCIO NA CARREIRA DO MAGISTÉRIO
No ano de 1936 com apenas 15 anos de idade fui convidado por uma comunidade para exercer o cargo de professor, a princípio exitei e tive receio em assumir a responsabilidade, pois jovem ainda não tinha muita coragem, mas, consultei aos meus ex-professores se poderia ocupar o cargo no magistério, obtive dos mesmos a resposta positiva que muito me animou, assim dei início aceitando o convite formulado. No dia 10 de março do ano de 1936 fui apresentado ao Sr. Prefeito Municipal de Erechim e esse marcou então para o dia 15 do mesmo mês para que fosse submetido ao exame de suficiência para poder assumir o cargo. Feitas as provas nas quais alcancei excelente nota de aprovação imediatamente fui nomeado para exercer o cargo em uma escola localizada no distrito de Vila Áurea, município de Erechim, ai lecionei dois anos, depois pedi transferência para o distrito de Marcelino Ramos, onde lecionei por mais dois anos e finalmente voltei para o distrito de Barro, onde passei a lecionar por cinco anos em dois períodos pela manhã na escola “Juventude” e a tarde em “Alto Caçador”, escolas essas das quais fui aluno e depois professor por um período de 5 anos. Em 1938 quis ingressar voluntariamente nas fileiras do exército, mas, devido a oposição dos meus pais deixei de ingressar e continuei no magistério porque minha vocação era sempre a de educar para o que tive muito amor e carinho.
MATRIMÔNIO
Aos 06 dias do mês de março de 1943 com a idade de 22 anos contraí enlace matrimonial com a jovem Gabriela Regmunt com 19 anos, filha de Estanislau e Jadwiga Regmunt (falecidos aqui em Quedas do Iguaçu em minha residência). Abençoado por DEUS TODO PODEROSO, convivo com a minha esposa a 44 anos, sempre na maior harmonia, amor e carinho do que espero continuar esta convivência por mais muitos anos do mesmo afeto harmonioso.
Em setembro do anos de 1943fui submetido a uma cirurgia no Hospital São Luiz em Gaurama pelo Dr. Finichio (apendicite aguda) e em outubro do mesmo ano a minha esposa foi hospitalizada por um período de 10 dias para tratamento dos “cálculos renais” e o que tivemos grande gasto.
MUDANÇAS PARA O ESTADO DO PARANÁ
No mês de fevereiro de 1945, resolvemos eu e a esposa de mudarmos de residência e, ao analisarmos onde poderia ser o lugar de melhor futuro escolhemos o Estado do Paraná, começando por Virmond, Laranjeiras do Sul e finalmente fixamos definitivamente em Campo Novo – hoje Quedas do Iguaçu. VIAGEM: No dia 15 de fevereiro de 1945 embarcávamos na estação de Barro no trem com destino à Ponta Grossa, essa viagem durou cerca de 30 horas. Chegando em Ponta Grossa ai permanecemos por três dias que devido ao mau tempo não podíamos seguir viagem para frente, no 4º dia seguimos de ônibus até prudentópolis ai paramos por mais dois dias não tendo condições de prosseguir viagem. Para continuarmos a viagem até Guarapuava tivemos que contratar um carroceiro que nos conduziu levando dois dias de prudentópolis a Guarapuava ai permanecemos por mais dois dias seguindo depois de ônibus para Laranjeiras, partimos as 07:00 horas de Guarapuava para chegarmos as 16:00 horas em Virmond onde paramos, ali residia e reside até hoje o irmão mais velho da minha esposa. Chegando na residência do mesmo precisamos descansar por alguns dias para depois dar início a procura de emprego, pois eu era totalmente desconhecido no lugar e não foi fácil para conseguir arrumar serviço.
De Virmond dirigi-me para Laranjeiras, quando naquele tempo foi a Capital Federal do Território Federal do Iguaçu – extinto posteriormente. Chegando a essa capital apresentei-me no Palácio do Governo e encontrei o funcionário Sr. Eugênio Sganzerla que respondia pela parte da educação e que era conhecido meu de Gaurama – Rs., o mesmo deu-me a resposta que o quadro do magistério já havia sido lotado e que precisaria aguardar nova oportunidade para poder abrir novas vagas. Assim fui obrigado a procurar outro ramo de vida e emprego. Sem ter nenhum pistolão que pudesse algo me ajudar e, depois de muito vira e mexe, comecei a trabalhar como moleiro em um moinho próximo a cidade, depois mais em uma obra de construção de uma marcenaria, posteriormente novamente no moleiro, circuleiro em uma serraria e finalmente como capataz em uma fazendola a 10 Km distante da cidade e que mais cuidava dessa direção foi a minha esposa e eu trabalhava em dias alternados em um escritório na cidade, e, assim fomos levando a vida até que um dia alcançamos o êxito desejado.
EXTINÇÃO DO TERRITÓRIO FEDERAL DO IGUAÇU
Em 1946 foi extinto o Território Federal do Iguaçu e Laranjeiras, assim como toda a região voltou a permanecer ao Estado do Paraná.
Campo Novo antiga colônia “JAGODA” distante a 80 Km de Laranjeiras havia estrada velha e não tinha professores e os moradores daqui muitos conhecidos meus do Rio Grande do Sul, souberam de que eu me encontrava residindo em Laranjeiras, vieram a minha procura para que eu viesse a essa Vila e assumir o cargo de professor. Depois de muito insistência e os apelos dos mesmos, pedi que fossem solicitar ao Sr. Prefeito de Laranjeiras que naquela época respondia interinamente o Sr. Antonio Silvério de Araújo (já falecido) para que o mesmo nomeasse-me para essa localidade como professor. O Sr. Prefeito ciente do pedido formulado convidou-me que comparecesse a Prefeitura para tratar do assunto, apresentando-me ao mesmo e como eu não possuía o Diploma de Professor Normalista, foi preciso ser submetido ao “Exame de Suficiência” para poder ser admitido ao magistério. O Sr. Prefeito pessoa que era muito gentil e bondosa, requereu a Secretaria de Educação e Cultura de Curitiba para que nomeasse uma banca examinadora para que fosse submetido a prova de exame. Dentro de 06 dias a Secretaria da Educação nomeava uma banca composta de 05 professoras, sendo 02 vindas de Curitiba e 03 do Grupo Escolar de Laranjeiras do Sul. Submetido ao exame por três dias tive a felicidade de atingir a média excelente e ótima alcançando o grau de 9,6. A banda examinadora expediu-me o certificado de habilitação, achando-me competente e o encaminhou ao Sr. Prefeito para apreciação e devida decisão. Depois do Sr. Prefeito ter analisado e achando-me absolutamente competente, encaminhou os resultados para a Secretaria da Educação e Cultura, pedindo a mesmo que na medida do possível fosse concedida-me a admissão no quadro de professores estaduais e, enquanto isso o Sr. Prefeito conferiu-me uma nomeação provisória expedida pela Prefeitura de Laranjeiras do Sul até que fosse solucionada a situação pela Secretaria da Educação e Cultura, e, deveria dar início as aulas em fevereiro de 1947.
A Secretaria da Educação analisando os resultados alcançados no exame de suficiência e achando que seria competente a admissão para o magistério estadual, assim que no dia 1º de março de 1947 expediu a Portaria de n.º 2.729/47 a qual admitia-me como professor estadual para reger a Escola Isolada de Campo Novo no município de Laranjeiras do Sul, a referida portaria foi assinada pelo então Secretário de Educação Dr. Sinicão Pedroso e a mesma foi sancionada pelo Exmo. Sr. Governador do Estado Moisés Luppion em 20 de dezembro de 1947 com vigência de 1º/03/47. O Sr. Prefeito foi cientificado da minha nomeação e mandou que desse início as aulas no dia 15 de março de 1947.
MUDANÇA PARA CAMPO NOVO – FEVEREIRO DE 1947
Tendo já autorizado pelo Sr. Prefeito de Laranjeiras do Sul, para dirigir-me a Campo Novo e dar início a abertura das aulas. Em meados de Fevereiro de 1947 tratamos de mudar-nos para Campo Novo, viemos para cá com a carroça do Sr. Francisco Rozentalski e a viagem demorou dois dias devido as péssimas condições em que se encontrava a estrada que dava acesso a Campo Novo. Chegamos aqui no dia 18 de Fevereiro e a casa onde deveríamos ocupá-la para residência era de propriedade da antiga Cia. Agrícola e Industrial do Iguaçu e era ocupada por um funcionário da mesma em que demorou para desocupá-la por mais de três meses, e assim ficamos encostados residindo com a família do falecido Francisco Rozentalski, até posterior ocupação da cada para nós destinada.
Quando os moradores souberam de que eu já me encontrava em Campo Novo compareciam para cumprimentar-me e dar-me boas vindas e desejando sucesso no magistério e pedindo que os pedidos que faziam fossem para que aqui permanecesse por muitos anos e que com a graça de Deus consegui permanecer e dar aulas por longo período de tempo durante 31 anos do meio desta comunidade.
O prédio para funcionamento da escola era de propriedade da Cia. Agrícola e Industrial do Iguaçu e apesar de ser amplo, porém tudo em péssimas condições, não existia nenhuma janela envidraçada, paredes todas de madeira serrada bruta sem pinturas, o mobiliário existente dentro também era todo da referida Companhia, as carteiras em média de 35, todas feitas de tábuas maciças e pesadas e as quais acomodavam entre 3 a 4 alunos cada, o quadro de giz era grande também feito de tábuas maciças, mesa do professor tudo em péssimo estado de conservação o que foi preciso muito trabalho para reorganizar. Do material didático nada existia a não ser um livro de matrícula e assim tivemos que enfrentar por alguns anos até que em 1952 o Governo do Estado construiu uma casa própria para a escola localizada ao lado da Igreja Matriz com duas salas de aula e no meio um pavilhão para recreio, em cada sala acomodavam-se cerca de 40 a 45 alunos mas até o ano de 1958 não tinha mais professores e era eu sozinho que dava as aulas.
A primeira matrícula em 1947 no mês de fevereiro atingiu a média de 100 alunos divididos em 4º séries e ficaram sem matrícula aproximadamente mais uns 40 alunos por falta de espaço na escola e falta de professor. Para poder atender os alunos matriculados tive que dar aulas em vez de 4 horas diárias, dava 6 horas sem receber recompensa alguma a mais pois, era impossível atender toda turma nas 4 horas, porém fazia tudo isso com o maior carinho e amor.
Quando no primeiro dia de aula, no dia 1º de março de 1947 reuniam-se no pátio todos os alunos recebiam-se com sorrisos e eu ao cumprimentá-los pedia aos mesmos que o que esperavam aqui, então os mesmos aos gritos respondiam queremos professor para estudarmos, essa foi a minha maior alegria. Muitos dos alunos vinham acompanhados de seus pais que os traziam pela 1ª vez a escola e também muitos em média de mais ou menos 25% não sabiam falar o português, que a começo tornou-se bastante trabalhosa para poder acostumá-los até que apreendessem a falar o português, não tive muita dificuldade nesta parte porque descendo de polonês e falo o polonês, isso tudo ajudou-me a ensiná-los o idioma nacional, os pais dos alunos davam-me todo o apoio e pediam se um de seus filhos por ventura viesse a praticar alguma desordem ou não cumprissem com os deveres poderia ser repreendido, eles queriam que seus filhos estudassem.
Os primeiros anos foram de muitas lutas e dificuldades, não existia material didático para o bom andamento das aulas era preciso tocar o barco com o pouco que tinha e nem da Inspetoria de Laranjeiras do Sul nada se conseguia pois lá também estava vazio. Para dirigir-se até Laranjeiras eram precisos gastar entre 4 a 5 dias se o tempo ajudava, pois somente o lombo a cavalo ou de carroça é que a gente poderia viajar, outros meios de locomoção nada existia e a cada 60 dias o professor era obrigado a apresentar-se na Inspetoria para preencher as formalidades do andamento da escola. O material didático onde se podia conseguir era a cidade mais próxima de Guarapuava ou Ponta Grossa, onde aos poucos os comerciantes daqui se dirigiam e na medida do possível conseguiam comprá-los para depois vender aos alunos, durante os 5 primeiros anos, nunca tive menos de 80 a 90 alunos sempre divididos em quatro séries. No ano de 1952 foram criadas as primeiras escolas no interior, como a Iguaçu I, Fazendinha, Linha Norte, Lageado Bonito, Tapuí, Barra do Mato Queimado, Nova Itália e outras, assim diminui a freqüência dos alunos do interior, mas em compensação aumentava o número aqui na sede. Em 1958 foram nomeados para junto comigo lecionarem os professores: Vitório Potulski e Lúcio Domanski, este mais tarde desistindo, mais com a criação da Casa Escolar de Campo Novo em 1960, vieram mais professores (as) como a Sra. Ana Ribeiro Jansen, Hilda Maria Badotti, Valério Piasecki, Nadir Sokolowicz e Marta Ubialli, fomos obrigados a dividir o pavilhão existente formando mais uma sala de aula e passamos a dar aulas em três períodos. Eu além de ser professor regente de classe fui nomeado pelo Inspetoria Regional de Ensino para responder pela Direção da Casa Escolar a qual exerci até o ano de 1972 quando foi criado o Grupo Escolar TIRADENTES e passei então a direção para a Irmã Ana Klidzio e eu voltei como regente de classe dando aula para a 4ª série.
Ainda a princípio quando em 1947 assumi a escola isolada de Campo Novo, sabia apenas de que fui admitido como professor Estadual, mas, não tinha recebido a minha portaria de nomeação e não sabia quais eram os meus vencimentos, fiquei assim por treze meses trabalhando sem saber o que ganhava e quando receberia o pagamento e quando dirigia-me a Laranjeiras a informação que recebia era que tivesse paciência que dentro de poucos dias seria tudo normalizado, mas os meses foram passando e nada. Para poder sobreviver dava aulas noturnas 3 vezes por semana para 20 jovens que pagavam-me Cr$ 10,00 por mês dando uma média de Cr$ 200,00 ao mês isso muito ajudava-me.
Em outubro de 1947 foi eleito o 1º Prefeito de Laranjeiras do Sul, o inesquecível Sr. Alcindo Natel de Camargo (já falecido há alguns anos), fiz reclamação ao mesmo o que respondeu-me que tivesse mais um pouco de paciência que quando em fevereiro de 1948 assumiria a Prefeitura iria a Curitiba e lá imediatamente desenrolaria o caso. E, graças a DEUS e que tenha-o sob sua proteção divina por tudo de bom que fez. O Sr. Alcindo em fins de fevereiro de 1948 dirigiu-se a Curitiba e lá foi verificar o meu caso, onde para surpresa encontrou a minha portaria engavetada que solicitou por que razão não havia sido encaminhada para mim a resposta que obteve é que a Inspetoria de Laranjeiras nada havia pedido e por essa razão pensavam que eu não lecionava. De imediato o Sr. Alcindo retirou a portaria enviando-me imediatamente e mandou que providenciasse todos os boletins mensais desde o início da aula de que fossem liberados os pagamentos atrasados. Feito isso dentro de 15 dias recebi todo o pagamento em atraso. Graças a tudo isso a memória do inesquecível prefeito Alcindo Camargo que não mediu seus sacrifícios para normalizar a minha situação e de tantos outros que se encontravam nas mesmas condições.
Exerci o cargo de magistério aqui em Quedas do Iguaçu, ex-Campo Novo durante 31 anos consecutivos. Até que finalmente no dia 13 de maio de 1977 pela resolução n.º 3573/77 do Decreto n.º 132, foi-me concedida a aposentadoria integral por tempo de serviço, visto ter sido computado mais 9 anos de serviços prestados ao magistério no município de Erechim no Estado do Rio Grande do Sul, o que totalizou 40 anos de serviço prestados no magistério. Hoje, apesar de já contar com mais de 10 anos de aposentadoria e com aproximadamente contando 67 anos de idade, sinto-me assim realizado em que com a graça de DEUS todo poderoso pude cumprir com a minha missão vocacional que sempre dediquei-me com todo amor e carinho no preparo dos frutos jovens para o bem da nossa querida Pátria Brasileira e que muitos dos meus ex-alunos hoje já desempenham altos postos a nível administrativo, outros educacional, profissão liberal, etc., do que muito me orgulha em saber que esses jovens souberam aproveitar os primeiros conselhos por mim ministrados nos primeiros anos de seus estudos, isso deixa-me feliz.
Lamento no entanto quando hoje vejo professores (as) queixarem-se de que existem alunos que não cumprem com os seus deveres e que desobedecem e ainda os pais dão razão aos alunos seus filhos achando que os mestres é que são culpados quando precisam ensinar seus alunos para o bem e se esses forem chamados a atenção (o culpado é o professor (a) e não o aluno). Com toda sinceridade posso afirmar que durante os meus longos anos de professor tive a felicidade de contar sempre com alunos obedientes e dedicados ao estudo e dos pais sempre tive o total apoio. Não compreendo a que possa ser atribuído hoje essa lamentável falha. Gostaria se pudesse ser útil neste particular em poder ajudar algo, mas, creio de que os conselhos que daria as crianças seriam totalmente inúteis, visto que as normas educacionais mudaram muito das anteriores e que devem ser obedecidas hoje de acordo com os novos currículos escolares.
Tive a felicidade de durante os meus 31 anos exercidos aqui em Quedas do Iguaçu, jamais sofrer repreensão alguma assim como também ser advertido pelos órgãos educacionais aos quais fui subordinado. Recebia, sim, muitos elogios de meus superiores pelo cumprimento dos meus deveres educacionais o que deixava-me muito feliz por tais atos.
CONSTITUIÇÃO DE MINHA FAMÍLIA
Casado em 06 de março de 1943 com a jovem Gabriela Regmunt, deste matrimônio fomos agraciados com a graça de DEUS com três filhos, sendo: A 1ª filha de nome “Melania”, nascida aos 30 de novembro de 1943 em Barro, hoje Gaurama – RS. (Já casada). Em junho de 1949 nasceu o 2º filho que foi batizado com o nome de “Luiz” e o qual teve poucos meses de vida chegando a falecer em janeiro de 1950 aos 7 meses de idade. Em 11 de maio de 1953 nasceu a 3º filha de nome “Clotilde” essa solteira. Luiz e Clotilte nasceram em Campo Novo, hoje Quedas do Iguaçu.
A filha Melania é casada com o professor Vitório J. Potulski, esse enlace realizou-se no dia 17 de julho de 1965 aqui em Quedas do Iguaçu, deste matrimônio são agraciados com a Graça de DEUS com seis filhos de nomes: Antonio, Apolônia, Ângelo, Zélia, Marcos e Marília, todos estão estudando e os quais recebem todo carinho como nossos netos. O Vitório foi professor regente de classe durante 31 anos aqui em Quedas do Iguaçu e no último mês de fevereiro de 1987 foi aposentado por tempo de serviço prestado no magistério aqui em Quedas do Iguaçu.
Trabalhamos com comércio de Livraria e Papelaria desde a data de 02 de janeiro de 1968 cuja razão social gira em nome de Gabriela Sobczak, e sob a minha gerencia. Trabalhamos todos unidos, genro e netos.
CIRAÇÃO DA PARÓQUIA DE CAMPO NOVO – 1954
Em agosto de 1954 o Sr. Bispo da Prelazia de Foz do Iguaçu Dom Manoel Koener enviava para cá o Rvdº Pe. Sigismundo Gdaniec, para aqui vir e verificar com os moradores se na realidade existia a possibilidade da criação e instalação da Paróquia em Campo Novo. O Pe. Sigismundo vindo de Rosário da República Argentina, permaneceu aqui por um período de 15 dias e após percorrer e visitar as principais capelas do interior, pediu a colaboração dos moradores para que demonstrassem a sua fé e só assim poderia ser criada a Paróquia, dirigindo-se a mim já que o Padre não conhecia a língua portuguesa fez seus rascunhos em polonês e pediu-me para que traduzisse-os para o português afim de que encaminhasse os mesmos ao Sr. Bispo confirmando de que Campo Novo estava em plenas condições para a criação da Paróquia e retornou para Argentina para quando fosse convidado por S. Excia. D. Manoel viesse a assumir como o primeiro Pároco de Campo Novo e o que aconteceu em dezembro de 1954 quando o Sr. Bispo designou o Pe. Sigismundo para o 1º Pároco de Campo Novo e com o qual contamos a sua presença até os dias de hoje. E, pelos seus méritos alcançados sua Santidade o Papa João Paulo II, designou-o conferindo-lhe o título de Monsenhor e que é a mão direita do Sr. Bispo Diocesano de Guarapuava. Desde os primeiros dias em que o Pe. Sigismundo aqui chegou fui sempre a sua mão direita, pois, o mesmo não sabia flar nada do Português fui seu auxiliar inseparável e fazia ao mesmo toda a correspondência indispensável até que o mesmo em muito pouco tempo aprendeu a falar e escrever corretamente o nosso idioma e o qual muito tem se orgulhado, pois, como sempre ele a mim atribui se não fosse este meu amigo e professor certamente demoraria muitos anos para aprender a língua portuguesa. Eu na missão de leigo jamais deixei de cumprir com os meus deveres religiosos e procuro na medida do possível ser útil não só aos padres, mas, sob a orientação dos mesmos a toda a comunidade no cargo que a mim é confiado como: cursilhista, ministro extraordinário da eucaristia, ministro extraordinário do batismo, coordenador dos cursos de preparação ao batismo e matrimônio e além destes muitos outros que estiverem ao meu alcance.
Na época de questões de conflito de terras que aqui se desenrolavam o Monsenhor Sigismundo foi o mediador entre posseiros e titulados e só assim conseguiu pacificamente para a normalização das mesmas. Isso custou horas e horas de trabalhos contínuos em que eu ajudava ao Monsenhor elaborando ofícios para os dirigentes do Departamento de Terras em Curitiba cujo titulas do Departamento era o Coronel Brasílio Marques da Silva e que confiava ao Monsenhor tudo o que melhor poderia fazer para evitar um conflito sangrento para o que a situação estava muito tensa, mas, graças a todo apoio recebido e aos ofícios que encaminhávamos chegou-se a normalizar na mais perfeita harmonia, onde hoje verifica-se o grande desenvolvimento agrícola em toda região que era atingida pela irregularidade. E, com isso cresceu a Paróquia assim como o nosso município, deve-se tudo isso a coragem e a mediação do Monsenhor Sigismundo com toda minha ajuda nesta particular.
ADMISSÃO PARA FUNCIONÁRIO NA CIA. AGRÍCOLA E IND. DO IGUAÇU
Em Janeiro de 1955 a Ex-Cia. Agrícola e industrial do Iguaçu com seus escritórios instalados nesta localidade, procurou-me para que ingressasse na mesma como escriturário e para fazer meio expediente sem que prejudicasse o horário escolar. Antes porém de aceitar a proposta solicitei autorização da Secretaria de Educação e Cultura se poderia exercer outro emprego após o expediente das aulas, foi positiva a minha solicitação e a Séc. da Educação concedeu-me a licença para após o período das aulas poder trabalhar em firma particular que não tivesse vínculo com o Governo.
Obtendo a autorização fui então fichado na referida empresa em 02 de janeiro de 1955 e permaneci trabalhando durante longos 18 anos e meio, onde a empresa mais tarde passou por denominação de CIA. DE CELULOSE E PAPEL DO IGUAÇU e posteriormente em 1970 sucedeu a essa a GIACOMET MARODIN INDÚSTRIA DE MADEIRAS S/A. A qual até os dias atuais continua com o seu desenvolvimento industrial madeireiro, com vasta extensão de reflorestamento e agricultura, sendo o orgulho e o principal progresso econômico do município. Em 1972 comecei a construção do meu prédio de alvenaria, e como também o serviço na firma aumentava de volume e na qual exercia nessa época o cargo de “CAIXA”, fazendo somente o meio expediente não tinha condições de vencer o serviço, porque ainda continuava dando aula e precisava estar também ao lado da obra em construção. Resolvi em meados de 1973 solicitar a minha demissão voluntária para o desligamento da firma, para o que muitos dos seus diretores me pediam o não desligamento, mas, ao mesmo tempo depois de verificarem a minha situação aceitaram em conceder-me a demissão em 30 de dezembro de 1973 e que pagaram-me todos os direitos trabalhistas (dos quais por justa razão eu não tinha direito pois fui eu que solicitei voluntariamente a minha demissão), porém pelo bom reconhecimento dos mesmos fiquei muito grato e desliguei-me da empresa com o mais perfeito ato de amizade mutua e conceito que sempre tive durante os longos anos trabalhando e da qual até os dias de hoje posso contentar-me em poder merecer a confiança e o respeito de seus diretores e dos demais funcionários.
EMANCIPAÇÃO DE CAMPO NOVO – DESMEMBRADO DE LARANJEIRAS DO SUL
Em 1966 com a eleição vitoriosa do Exmo. Sr. Dr. Paulo Cruz Pimentel, Governador do Estado do Paraná, deu-se o início para a campanha emancipacionista para o desmembramento de Campo Novo do município de Laranjeiras do Sul do qual Campo Novo era distrito. Naquela época o Prefeito de Laranjeiras do Sul foi o Sr. Alcindo Natel de Camargo o qual foi por nós consultado se concordaria com a nossa campanha emancipacionista, o mesmo foi positivo declarando-se totalmente favorável, assim então demos as primeiras partidas para o que organizamos uma comissão composta dos seguintes membros para darmos a iniciativa. A comissão organizadora constava dos seguintes membros: Srs. Pedro Alzide Giraldi, Idimir T, Giraldi, Monsenhor Sigismundo Gdaniec, eu João Sobczak, Altair Ferreira Branco, Lauzino Silveira Goularth, Henrique Golon, Silvestre Simão Odorcick, Pedro Stormowski, João Disarzm os irmãos, Luiz, Alessio e Reinaldo Luzitani, os irmãos, Czarneski, os irmãos Pilarski. Essa comissão promoveu reuniões em diversos setores do município digo distrito para angariar assinaturas as quais posteriormente de examinadas pela comissão organizadora foram encaminhadas para a Assembléia Legislativa aos nobres Deputados Estaduais Srs. João de Matos Leão, Moacir Silvestre e João Mansur que representavam este distrito. Os nossos requerimentos foram pelos mesmos submetidos a votação dos quais tivemos a sorte de serem aprovados e assim no mês de outubro de 1967 o Exmo. Sr. Governador sancionava a lei criando o município de Campo Novo, desmenbrando-o de Laranjeiras do Sul. Com a notícia da criação do município grande foi a euforia do povo e o Sr. Alcindo Natel de Camargo, prefeito de Laranjeiras do Sul enviava-nos congratulações pelo êxito alcançado.
ELEIÇÃO PARA ELEGER O 1º PREFEITO – VICE E VEREADORES
Em março de 1968, deu-se início a campanha eleitoral para eleger o 1º prefeito e seu vice e também a Câmara de Vereadores. Como havia apenas uma legenda partidária a da “ARENA”, formou-se assim duas sublegendas a da Arena 1 e da Arena 2, para os quais foram apresentados dois candidatos, sendo pela legenda da Arena 1, o Sr. Pedro Alzide Giraldi para prefeito e para seu vice foi escolhido o meu nome e o da legenda Arena 2 o Sr. Carlos Dallavequia para prefeito e para seu vice o Sr. Boleslau Ososwski.
Terminada a campanha eleitoral que foi muito tensa, realizaram-se as eleições no dia 15 de novembro de 1968, apurados o escrutínio foi eleita a chapa da Arena 1 com uma esmagadora margem de votos e dos nove candidatos a vereadores 6 foram da Arena 1 e 3 da Arena 2, em vista da expressiva vitória. O Exmo. Sr. Dr. Juiz Eleitoral da 45ª Zona da Comarca de Laranjeiras do Sul, Dr. José Wanderley de Rezende, achou por bem de proceder a instalação do município o mais breve possível e para isso designou a data de 15 de dezembro de 1968 para instalação e posse dos eleitos para a 1ª legislatura. Foram assim oficialmente empossados no dia 15 de dezembro de 1968 o Sr. Pedro Alzide Giraldi, como primeiro prefeito; João Sobczak como 1ª vice-prefeito e os membros da Câmara Municipal, ficando assim a data oficial do município como 15 de dezembro.
Muitos foram os sacrifícios enfrentados pela primeira legislatura, era preciso organizar do nada para que o município crescesse mas felizmente com a boa colaboração de todos os munícipes aos poucos foram desenvolvidos os trabalhos administrativos na mais perfeita ordem e progresso. Em 1970 procurou-se a mudar o nome de Campo Novo para o de Quedas do Iguaçu, o que a princípio não tinha boa aceitação, mas aos poucos foi aceito com o agrado de todos os quedenses, nome este que na realidade mudou tudo de bom para o melhor e que hoje é o orgulho da região Sudoeste paranaense.
Durante a 1ª legislatura eu não precisei assumir o mandato, pois o Sr. Prefeito não precisou licenciar-se por nem um dia em sua gestão e eu continuei cuidando dos meus afazeres a mim atinentes.
Terminada a 1ª gestão administrativa em 1973 e em novembro de 1972 foi eleita a 2ª gestão, sendo eleito como candidato único o Sr. Silvestre Simão Odorcick para prefeito e o Sr. Miguel Szarneski para seu vice cujo mandato encerrou-se em 1976.
3ª gesta administrativa, foi reeleito o Sr. Pedro Alzide Giraldi, prefeito e o Sr. Idimir Tranqüilo Giraldi seu vice essa gestão administrativa encerrou-se em 1983.
4ª gestão administrativa , eleito o Sr. Rudi Schaedler, prefeito e o Sr. Nelson Brancalhão seu vice, esta administração terminará em 1988 em que serão eleitos novos administradores. Durante as quatro administrações municipais desde a sua instalação até os dias atuais podem-se notar o ritmo acelerado no progresso em todos os níveis do município, que conta atualmente com alto nível educacional, além dôo primário e do 2º grau, com escolas rurais espalhadas por todos os recantos, excelentes estradas vicinais, ruas da cidade em sua maioria asfaltadas, o comércio em pleno desenvolvimento contanto com muitas lojas, supermercados, e todos os demais ramos que tudo isto faz o município crescer e desenvolver-se.
Das escolas anteriores dos meus longos anos de permanência, hoje com muita alegria vejo que a semente que plantei nessa terra abençoada de Quedas do Iguaçu da qual sempre esperei um dia ver os frutos produzidos hoje encontram-se produzindo o futuro promissor e eu apesar de já estar esquecido e afastado orgulho-me de poder ver o verdadeiro progresso em todos os setores desta região benquista da qual sempre fui e sou o seu admirador e rogando a Deus todo poderoso peço que continue abençoando a toda esta gente para a qual desejo as minhas felicidades.
Para conclusão desta minha autobiografia, quero aqui frizar que a mesma apesar de extensa porém resumida de todos os meus afazeres realizados aqui por durante os meus longos anos de minha permanência neste torrão, abençoado por Deus, que me fez muito feliz por poder cumprir a minha missão, para que com todo o respeito e carinho deixo transcrito para os anais da “CASA DA MEMÒRIA” para a devida apreciação e arquivo.
Finalizando ainda quero deixar claro que não pertenço mais a nenhuma filiação partidária e política, desligando-me totalmente da política para ser “apolítico” e viver na mais perfeita e harmoniosa amizade e a convivência com toda a comunidade quedense, para os quais procuro e procurarei ser sempre útil em tudo o que for ao meu alcance e até que as minhas forças físicas derem-me esta coragem em poder servir.
Encerando os meus esclarecimentos no presente, deixo consignado um ato de louvor ao idealizador e dirigente da “CASA DA MEMÒRIA” de Quedas do Iguaçu Sr. Jair Fontanella, e, para o que passo com todo o respeito e consideração a datar e subscrever-me.
Quedas do Iguaçu, 25 de novembro de 1987

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