Continuação do Livro a Verdade - Capítulo 13 - Volume 01
Dia 08/07/2010
A mente verdadeira do homem
A flor de cerejeira tem a cor rosada, a glicínia, a cor lilás – todas as pessoas as vêem desse modo. O corvo crocita, o pardal chilreia – todos os ouvem desse modo. Assistindo a uma peça teatral, as pessoas choram quando o ator chora no palco. Riem quando a peça é engraçada, e se comovem quando é comovente. Acontece isso porque a Mente alojada em todas as pessoas é a mesma Mente universal, a Mente de Deus.
Essa Mente de Deus é a nossa mente verdadeira. A Mente é translúcida e incolor. É mais transparente que a água e não se nota sua existência. É bem mais límpida que o espelho e reflete tudo exatamente como é. Por isso, a flor de cerejeira reflete a cor rosa, e a glicínia, a lilás. É a Mente que assim reflete tudo e mostra claramente aquilo que vemos. Isso, porém, se manifesta em relação a algo, pois, se esse algo desaparecer da frente do espelho, não haverá imagem refletida nele. Se um tolo estiver diante dos olhos, enxerga-se o tolo, mas, se ele não estiver diante dos olhos, não se verá ninguém. A Mente está sempre límpida e não contém nuvens nem fica riscada. É semelhante a um céu totalmente azul e límpido, ou melhor, nem esse azul existe. A Mente verdadeira do homem é absolutamente translúcida, límpida e imaculada.
O corpo físico é a carcaça do homem
O corpo verdadeiro do homem é essa Mente translúcida, sem forma. Um corpo sem essa mente não é o homem. É a carcaça do homem. Sendo uma carcaça, transforma-se em cinza quando cremada, e em terra, quando sepultada. Outros componentes ficam a flutuar no ar em forma de vapor, gás carbônico, nitrogênio e outros gases, retornando à terra através das diversas funções dos animais e vegetais. Tudo que tem forma retorna ao solo, ou seja, à terra. Por isso, as pessoas da antiguidade criaram a palavra Katati.
Na Índia, dividem em quatro elementos aquilo que dá origem às formas, ou seja, a terra, a água, o fogo e o vento. Classificam-no em terra, água, energia do calor e corpos gasosos. A terra é o corpo sólido; a água, o corpo líquido; o vento, o corpo gasoso; o fogo, a energia térmica. A junção de tudo isso resulta em coisas que têm forma. Entretanto, todos esses elementos pertencem ao planeta e, dizendo de modo generalizado, retornam à terra. Tudo que tem forma retorna à terra.
Tudo que tem forma é aglomeração de elementos
Hoje não se diz quatro elementos, mas classificam a matéria em 96 elementos. Apenas se tornou mais minuciosa a classificação, e aquilo que tem forma é, afinal, matéria do globo terrestre. A formiga, a abelha, a pulga, o cachorro, o gato, o boi, o cavalo, a pomba, o corvo, o pardal, os peixes, o homem, tudo é matéria do planeta Terra. Ou seja, é algo que se formou pela junção de alguns dos 96 elementos. Por isso, queimando, tanto o homem quanto os animais e insetos ficam iguais. Portanto, a diferença entre o homem, os animais e insetos existe apenas enquanto estão vivos.
Que é estar vivo?
Então, que é estar vivo? A diferença entre algo que está vivo e o que está morto é: o que está vivo possui mente, enquanto o que está morto não a possui. Após a mente escapar desse algo vivo, cedo ou tarde, ele acaba retornando à terra. Por que os noventa e tantos elementos da matéria se dispõem em determinado formato, o cão, na forma de cão, o gato, na forma de gato, o elefante, na de elefante, o homem, na de homem, sendo que Taro forma o rosto de Taro, Jiro, de Jiro, Hanako, de Hanako, e Yoshiko, de Yoshiko? Porque são diferentes as formas da mente alojada em cada corpo. Todos possuem a forma exatamente igual à da mente. Por isso, é só olhar o rosto da pessoa, que se pode saber como é a mente dela. Mesmo que não seja um fisiognomonista, olhando o rosto da pessoa, percebe-se, em linhas gerais, como está a mente dela: se está irada, contente, insatisfeita, etc.
Que quer dizer forma da mente?
Na Mente não há divisões nem barreiras. Todos possuem a mesma Mente. Sendo ela a Mente de Deus, límpida e imaculada, todos possuem a mesma Mente. Não obstante, por que todos têm mentes diferentes? A Mente em si é de Deus e é tudo igual, mas, sendo diferentes os pensamentos e os sentimentos que se sobrepõem a essa Mente, os elementos materiais que formam os nutrientes e componentes se dispõem de maneiras diferentes, dando diversas formas ao aspecto físico. A Mente é de Deus e não possui originariamente qualquer forma. Diz-se imagem da mente ao pensamento que se sobrepõe à Mente verdadeira.
Há uma antiga poesia que diz:
“Todas as noites a Lua passa sobre a água e não deixa pensamentos nem rastros”.
Fala sobre água, referindo-se à superfície límpida de um lago. Portanto, a Lua se reflete na superfície do lago todas as noites, mas, quando ela desaparece, a água continua límpida, não havendo qualquer rastro da “lua mental”. Essa é a Mente verdadeira, a Mente de Deus que está alojada no homem. E a forma mental são os pensamentos que surgem como ondas sobre essa Mente verdadeira.
A Mente verdadeira não se macula
Mesmo que as ondas se agitem, a água não aumenta nem diminui. A Mente do homem é a Mente de Deus alojada nele e, por mais que surjam pensamentos como ondas, essa Mente não fica maior nem menor. Sendo a Mente do homem a Mente de Deus, é límpida desde o princípio. Portanto, não é algo que irá se purificar ou macular a partir de agora. O budismo refere-se a isso dizendo que é impossível se macular e se purificar. Na água reflete-se a flor como também a Lua, mas a mente da flor não se mistura n’água tingindo-a de vermelho. Da mesma forma, na Mente do homem não se aderem pensamentos nem rastros – essa é a natureza verdadeira do homem (ou seja, a Mente de Deus), a Imagem Verdadeira. A natureza verdadeira do homem é a Mente de Deus. Desaparecendo a Mente de Deus, desaparece a natureza verdadeira do homem. Por isso, se a Mente escapar do corpo físico, mesmo que tenha a forma do homem, já não será homem.
Como é a “Imagem Verdadeira da Vida”?
A Seicho-No-Ie diz Imagem Verdadeira da Vida referindo-se à natureza verdadeira do homem. A vida é o verdadeiro corpo do homem, e o corpo carnal é seu recipiente, ou seja, a carcaça. O budismo diz que este é um mundo temporário, porque é onde vivem as pessoas que se manifestam temporariamente em forma de corpos carnais, sendo a Vida a Realidade. Seria comparável à sombra refletida n’água. Parece existir, mas não existe. Por isso, hoje o corpo físico está aparentemente vivo, mas ele não tem existência real. Nada existe além da Mente. Se desaparecer a Mente, o corpo físico, mesmo deixando-o abandonado, se desintegra e desaparece sua forma, porque ele é algo temporário e é inexistente.
Torna-se rico aquele que trabalha sem pensar no corpo físico nem no dinheiro
A pessoa pensa logo ao acordar “Quero isso, quero dinheiro, quero fazer isso, quero fazer aquilo”, porque não sabe que este corpo físico não é o Eu verdadeiro, e sim a mente. Assim, pensa “Tudo depende do dinheiro. Nada se faz sem dinheiro. Preciso ter dinheiro nem que engane os outros, ameace-os ou ludibrie-os”, e, mais tarde, acaba se tornando notícia lamentável dos jornais.
Tudo que enxergamos com os olhos são coisas do mundo temporário, que nos servem apenas quando está manifestada a imagem temporária chamada corpo carnal. Na hora de a Mente deixar este corpo e ir para outro mundo, não pode levar dinheiro nem nada que tenha forma. O corpo verdadeiro do homem é a Mente e, portanto, tudo que a Mente não pode levar são meras existências temporárias. No mundo das formas não existe nada tão valioso que se tenha de conquistar arriscando a vida. Que importa o dinheiro? Basta que a Vida trabalhe agora. Não digo com isso que se deva ficar pobre. A pessoa que trabalha com essa disposição, torna-se naturalmente rica.
Há uma poesia que diz:
“Viver agora a preciosa Vida de Deus, é ser rico”.
Quando compreendemos que o corpo físico é recipiente, a carcaça da Mente, sendo a Mente a nossa Vida, conseguiremos trabalhar sem parcimônia com o corpo físico. Se trabalhar com afinco, sem ficar pensando só em dinheiro, a pessoa será respeitada, e seus bens aumentarão bastante, sem que os busque.