O corpo se transforma conforme o estado mental
Costuma-se dizer que os trabalhadores das fábricas e minas contraem tuberculose com facilidade, mas isso é mentira. Sendo o corpo carnal sombra da mente, as pessoas contraem tuberculose quando trabalham pensando na possibilidade de contraírem essa doença. Quando, ao contrário, trabalham com prazer e ânimo, acreditando que quanto mais trabalham mais saudáveis ficam, certamente assim acontece.
Mas, que fazer se a pessoa contrair tuberculose?
Sendo a tuberculose uma doença que não se cura com remédios, não há outro meio senão alimentar-se bem e, através dos nutrientes, manter a energia vital para vencer as bactérias. Entretanto, mesmo ingerindo os melhores alimentos a fim de manter o corpo bem nutrido, de nada adiantará se a digestão não se processar satisfatoriamente. Então, achando que alimentos moles ajudariam a digestão, costuma-se dar aos doentes uma papa, e existem pessoas alimentando-se todos os dias só de papa. Não é mal comer papa durante um dia quando ocorre um distúrbio repentino dos intestinos, mas, se isso se repete por dias seguidos, perde todo o sabor. Nessas horas, arroz com chá e conserva de nabo seria mais gostoso. Se a pessoa se alimentar com prazer, o estômago secretará suco digestivo em abundância e fará uma boa digestão. Se, porém, alimentar-se contra a vontade, o estômago não sentira prazer e não secretará suco digestivo. Principalmente no caso de tomar a refeição sentindo ira ou temor, mesmo que mastigue 80 vezes a papa, ela não será digerida. Ficará longo tempo no estômago e, se passar para os intestinos infectados pela tuberculose, terá constantes diarréias. A cada diarréia a pessoa se preocupa pensando: “Acho que vou morrer”. Geralmente os doentes agem desse modo. Antes de acontecer o pior, a pessoa já pensa que vai morrer e não consegue dormir à noite. Não dormindo, o corpo enfraquece ainda mais. Se a preocupação for excessiva, a pessoa acabará tendo esgotamento nervoso, e a dor mental provocara nevralgia. Desse modo, o temor faz com que o estômago pare de trabalhar. Mesmo quando estamos tomando tranquilamente a refeição, se recebermos um telegrama avisando que o nosso pai está a beira da morte, perderemos totalmente o apetite e, se ingerirmos à força a comida, não sentiremos nenhum sabor. Todos já passaram por experiências semelhantes. Tendo temor, imediatamente o estômago deixa de trabalhar e não digere os alimentos. Então, que acontecerá com pessoas que vivem todos os dias temerosas? Se temerem todos os dias pensando “Será que não vou morrer hoje? Será que minha doença não está piorando?”, é certo que a consequência será mais grave do que se receberem um telegrama avisando que o pai está agonizando, pois será como se recebessem telegrama que diz “Estou agonizando”. Com certeza, a pessoa ficará lívida, a pulsação acelerará, a respiração ficará ofegante e a doença se agravará.
Experiência com estômago de um cão
Pavlov, eminente filósofo russo, pesquisou a relação entre a digestão e a mente, examinando o suco gástrico através de uma sonda de borracha introduzida num orifício aberto no estômago de um cão. Colocando algo saboroso diante do cão, do seu estômago era secretado suco gástrico em abundância. Esse suco tem a função de fluidificar os alimentos ingeridos. Há diversas espécies de suco gástrico e, se tivermos diante de nós comidas saborosas quando estamos de bom humor, o nosso estômago secretará suco gástrico de boa qualidade e o alimento será transformado rapidamente em sangue e carne.
A seguir, Pavlov fez com que o cão se alimentasse enquanto ele o deixava irritado. O cão ingeriu os alimentos, mas o estômago não secretou muito suco gástrico. Constatou também que ocorreu o mesmo quando fez o cão alimentar-se sentindo muito temor. Desse modo, foi experimentalmente comprovado que, conforme o estado mental, difere a qualidade da digestão dos alimentos no estômago.
Não se irrite durante as refeições
Certa pessoa pesquisou exaustivamente os segredos da longevidade e conclui que, se alguém deseja ter longa vida, jamais deve se alimentar quando está irado. Significa que alimentar-se sentindo ira encurta a vida da pessoa. Mesmo o estômago de um cachorro, quando este está irritado, não consegue digerir bem os alimentos, fazendo com que se deteriorem e se transformem em toxina. Se alguém tomar as refeições todos os dias sentindo-se irado, será o mesmo que estar comendo alimentos estragados, e será natural que não tenha vida longa. Conclui-se, então, que não devemos ficar irritados durante as refeições.
Seria muito bom que, antes das refeições, realizássemos uma oração a fim de serenar a mente. Se habituarmos a tomar as refeições após fechar os olhos por uns instantes, serenar a mente e mentalizar “Obrigado, Deus, pela graça em forma de alimentos que nos oferece agora”, nosso estômago secretará um bom suco gástrico e, mesmo a alimentação trivial se transformará em sangue e carne, dando-nos energia para trabalhar. Se nos alimentarmos ressentidos porque nos desentendemos com um amigo, ou porque alguém nos repreendeu, em vez de os alimentos se transformarem em sangue e carne, se deteriorarão nos intestinos, produzindo toxina. Será o mesmo que tomar veneno. Por essa razão, é perfeitamente lógico que um dos segredos da longevidade seja: “Não se alimente quando estiver irado. Alimente-se só quando estiver de bom humor”.
A toxina produzida quando a mente está irada
Analisando de outro ângulo, o nosso corpo tem junto aos rins um “instrumento” chamado glândulas supra-renais que produzem o “remédio” adrenalina que circula pelo corpo com o sangue. Esse “remédio” circula sempre em quantidade necessária para o corpo, mas, quando a pessoa fica irada, aumenta a sua secreção, tornando-se prejudicial à saúde. Seria como se estivesse circulando veneno no corpo, e a pessoa morre mais cedo ou fica doente.
Injetando adrenalina produzida pelas glândulas supra-renais numa pessoa que está sofrendo uma crise de asma, esta cessa temporariamente. Compreende-se, assim, que essa doença resultou do mau uso e da conseqüente avaria das glândulas que produzem a adrenalina. Quando a pessoa sente medo ou raiva, as glândulas supra-renais produzem adrenalina em excesso e, analisando esse fato, conclui-se que a pessoa que sofre de asma viveu com medo ou raiva e que usou essas glândulas de modo desregrado.
Por que, quando a pessoa fica irada, seu organismo produz mais adrenalina? Quando o sangue que contém adrenalina em excesso chega ao estômago, este pára de trabalhar, perde a força de contração, e o sangue destinado a fazer funcionar o estômago se desvia para os músculos e pele dos braços e mãos, que se preparam como que para lutar com um inimigo. Quando se injeta grande quantidade de adrenalina, os músculos se contraem, o corpo começa a tremer, os cabelos ficam eriçados, exatamente como se a pessoa estivesse irada. A gripe também apresenta sintomas semelhantes e ocorre com maior facilidade quando a pessoa está tomada de ira ou medo. O medo e a ira produzem reações idênticas, pois são sentimentos que nascem em relação a um inimigo. Se a pessoa vive intranqüila, pensando que há um inimigo em algum lugar, sente medo constante ou está sempre irada, usa indevidamente as glândulas supra-renais, que produzirão adrenalina em excesso ou, por alguma reação, deixarão de produzi-la. O excesso de adrenalina relaxa os músculos do estômago e provoca gastroptose. Portanto, pessoas que têm problema gástrico crônico não produzem adrenalina de modo adequado. Basta tranqüilizarem a mente que ocorrerá a cura imediatamente.
A adrenalina faz também com que a pele fique arrepiada, além de causar tremor no corpo. Por isso, o corpo treme ao ficar gripado. Se, em reação a isso, houver diminuição na produção da adrenalina, provoca crise de asma. Essa é a razão por que ocorrem crises de asma após uma gripe, e também em pessoas que vivem com a mente preenchida de temor ou ira. A insônia e a neuralgia também resultam de preocupações, temores e ansiedade. Existem inúmeros nomes de doenças, mas têm como origem algum distúrbio circulatório do corpo, devido a uma causa mental.
Como eliminar a ansiedade
Conclui-se, portanto, que para curar doenças é preciso serenar a mente, deixando de ter preocupações, ansiedade e ira. Enquanto a pessoa mantém a preocupação “Quero me curar desta doença. Que será que devo fazer para me curar?”, dificilmente obtém a cura, devido ao seu temor. Para não sentir medo da doença, basta decidir “Não me importo, mesmo que eu morra”, mas é difícil alguém conseguir tomar essa decisão. Entretanto, muitas pessoas se curaram após decidir realmente “Já posso morrer” e deixar de temer a doença. Há também casos em que o doente se curou quando se resignou pensando “Agora vou morrer mesmo”, serenou a mente e fez desaparecer o temor.
Ocorre também a cura quando o enfermo deixa de pensar em morrer ou viver e fica tranqüilo, entregando tudo à vontade de Deus, pois, assim, flui a força divina. O fundador da seita Konko disse: “Não se obtém graças se não há sentimento de entrega total”. Entrega total significa confiar plenamente na vontade de Deus. Tendo esse sentimento, a pessoa deixa de sentir medo e pode viver todo o seu tempo natural de vida. Por mais que ela se esforce pensando “Vou viver mais, vou continuar vivendo”, quando chegar a hora, morrerá. Portanto, enquanto estiver assim se esforçando, o inimigo poderá ataca-la e roubar-lhe a Vida. Esse esforço não a livrará do medo da doença. Para extinguir o medo é preciso deixar de se esforçar pensando “Vou viver”.
Não nascemos por nossa própria vontade. Não nascemos por meio do nosso próprio esforço. Deus nos deu a vida, portanto, esta vida não é nossa. Quando percebemos isso, teremos grande tranqüilidade. Se fosse uma vida construída com o nosso esforço, não teríamos outro meio senão protegê-la com o nosso esforço, mas, se foi-nos concedida por Deus, ele a protege. Compreendendo isso, tudo se resolve. Não temos mais necessidade de temer. Passaremos a viver pensando: “Em mim habita a vida de Deus que permeia o Universo”.
São Paulo disse “Cristo vive em mim” não se referindo apenas ao Jesus carnal, que nasceu há dois mil anos na Judéia. Mas ao Cristo que é a verdade imanente no Universo, ao Cristo que é a vida imanente no céu e na terra. São Paulo assim disse porque era cristão, as um budista diria “A vida imensurável de Amida vive dentro de mim”. Todas as religiões pregam a mesma verdade. Devemos saber que não fabricamos nossa vida com o nosso esforço, mas que somos vivificados pela vida eterna e imortal de Deus que habita em nós. Quando compreendemos que temos dentro de nós essa vida imortal, adquirimos a grande tranqüilidade. Não temos mais o que temer, pois somos vivificados pela vida que preenche o céu e a terra.
Jantando no restaurante Heiwarõ
Quando estive na cidade de Kobe realizando conferências, ouvi o que vou narrar agora. Naquela época, o restaurante Heiwarõ, localizado em San-no-miya, servia a melhor comida chinesa de Kobe. No intervalo entre a conferência da tarde e a da noite , fui juntamente com cerca de 40 adeptos jantar nesse restaurante. Sentou-se ao meu lado uma senhora de 62 anos. Era a sra. Kyu Baba, residente na província de Okayama, Akaiwa-gun, Takatsuki-mura, Hozaki, que viajara especialmente a Kobe para ouvir minha conferência. Ela era adepta antiga da seita Konko, mas, logo ao me avistar, disse-me:
-Professor, recebi tantas graças que não conseguiria relata-las todas, mesmo que ficasse falando dois dias sem parar.
Época em que lancei a revista Seicho-No-Ie
A seriedade dessa senhora era tanta que atraiu a atenção de todos os presentes. Ela foi uma das pessoas a quem enviei o primeiro número da revista Seicho-No-Ie. Na ocasião, imprimi 1.000 exemplares dessa revista e tive muita dificuldade em encontrar pessoas a quem deveria enviar cada exemplar. Pouco antes de lançar a Seicho-No-Ie, havia organizado uma associação de cunho cultural e moral, chamada Gudo-sha no Kai, cujo membros, cerca de 15 a 20 pessoas, se reuniam na minha residência, uma a duas vezes por mês, quando conversávamos sobre cultura e aprimoramento pessoal.
Nessa época, ainda era funcionário de uma empresa. Achando que as pessoas deveriam, mesmo nas folgas do trabalho, trocar idéias sobre bons assuntos e esforçarem-se em promover o aprimoramento do caráter, publiquei artigos em duas ou três revistas editadas por amigos meus, conclamando seus leitores a realizarem, em diversos locais, reuniões de estudos das escrituras religiosas. Cento e cinqüenta pessoas atenderam à minha conclamação, e enviei-lhes o primeiro numero da revista Seicho-No-Ie. Contudo, não sabia a quem enviar os 850 exemplares restantes. Então, doei às pessoas mais interessadas, dentre essas 150, dez a vinte exemplares, pedindo-lhes que as distribuíssem a seus conhecidos. Ainda assim, restaram muitos exemplares. Oferece-los a qualquer pessoa seria inútil, pois poderia jogar na lixeira sem querer lê-la. Assim, pensei em envia-los a pessoas interessadas em cultura e moral cujos nomes eram publicados em revistas culturais. Enviei as revistas restantes a essas pessoas, e a sra. Kyu Baba era uma delas.
Associação Sei-no-Kai
Uma dessas revistas culturais se denominava Sei e era editada pelo sr. Masao Takahashi, na época, supervisor doutrinário da seita Konko.
O Sr. Masao Takahashi realizava uma vez por ano uma atividade da associação Sei-no-Kai, constituída por leitores da revista Sei. Eles vivenciavam uma pratica que parecia ser a soma dos ensinamentos das seitas Konko e Ittoen dividida ao meio. Uma vez por ano, abandonavam tudo que possuíam e saiam pelas ruas sem anda nas mãos, como se tivessem nascido neste mundo naquele momento. Assim, eles faziam algum trabalho dedicando sua vida em agradecimento ao fato de estarem neste mundo, seja limpeza da rua ou remoção de ervas daninhas, contratados ou não por alguém, sendo ou não solicitados.
Procedendo desse modo com toda a seriedade, emergia do interior das pessoas a força infinita e elas ficavam saudáveis. Ou então, recebiam provisão infinita, pois alguém sempre lhes oferecia alimentos, hospedagem, fazendo com que as pessoas experimentassem na pele que bastava trabalhar neste mundo dando tudo de si que, indubitavelmente, a força vivificante de Deus agia de modo a lhes vivificar. Com esse objetivo, os membros dessa associação se reuniam uma vez por ano em algum local e ofereciam trabalho, cada qual a seu modo, fazendo limpeza, ajudando no trabalho de alguma loja, assim se aprimorando espiritualmente.
Quando a pessoa trabalha dando tudo de si, passa a compreender que é um erro pensar que o homem passa por dificuldades ao perder o emprego, ou que passa fome se não tiver atividade lucrativa. Compreendera na pratica que Deus jamais empobrece a pessoa que trabalha verdadeiramente.
Certo de que as pessoas que se reuniam na Sei-no-Kai levavam a sério o aprimoramento pessoal, ofereci gratuitamente a todas elas um exemplar do primeiro número da revista Seicho-No-Ie. Uma dessas pessoas era a sra. Kyu Baba, que tinha na época cerca de 62 anos.
Quem professa outra religião pode ser adepto da Seicho-No-Ie?
A sra. Kyu Baba recebeu a revista e vendo que continha artigos sobre Deus, sentiu que, lendo-a, iria ser repreendida pelo “Deus” da seita Konko. Nasceu nela o temor:”Vim acreditando profundamente em ‘Deus’ da seita Konko, desde a minha juventude, e ele poderia me recriminar se agora passasse a ler sobre outro Deus”.
Então, ela me escreveu indagando se deveria ou não devolver a revista, e enviei-lhe a seguinte resposta: “Não é preciso devolvê-la. Dê a alguém que a queira ler”.
Naquela época, o número dos leitores da revista era muito pequeno, e eu respondia a todas as cartas que recebia.
Ao receber minha carta, ela pensou muito até encontrar a pessoa indicada para oferecer a revista. “Na terceira casa daqui, mora um rapaz que está há sete anos acamado, acometido de tuberculose. Vou dar-lhe esta revista e, quem sabe, ele recebera uma graça” – pensando assim, levou-lhe a revista. Esse doente era um moço de seus 25 anos. Ela lhe entregou a revista, dizendo-lhe: “Leia esta revista que contém assuntos maravilhosos. Pode ser que você receba uma graça”.
O moço expirou sorrindo
A Sra. Kyu Baba não era adepta da Seicho-No-Ie e não o visitou posteriormente para falar-lhe dos ensinamentos, mas o moço leu a revista e, dizendo “Sinto que fui salvo”, viveu temporariamente muito bem de saúde, mas, chegando sua hora, seu corpo começou a se debilitar dia a dia.
Fiquei surpreso com o caso, pois era a primeira vez que ouvia alguém me contar que uma pessoa fora salva apenas lendo a revista.
Certo dia, a sra. Kyu visitou o moço doente. Ele não demonstrou qualquer sofrimento e lhe pediu: “Quero beber água, traga-me, por favor”. Ela colocou água numa grande jarra de barro, encheu um copo e deu-lhe. Ele bebeu e pediu mais: “Oh, está uma delicia! Dê-me mais um copo”. Assim, acabou bebendo toda a água da jarra e, dizendo “Oh, que delicia! Obrigado por tudo que me fez”, expirou contente, sem qualquer sofrimento.
- Mesmo uma pessoa idosa, demonstra temor na hora da morte, mas penso que foi graças à Seicho-No-Ie que esse jovem faleceu contente – assim me disse a sra. Kyu Baba, relembrando o passado.
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